Neuromodulação não invasiva – O que é?

É o nome que se dá a uma variedade de técnicas desenvolvidas para modular a atividade do sistema nervoso humano. As modalidades terapêuticas podem variar de acordo com o contexto clínico, a localização, a precisão, o tamanho das áreas-alvo e o efeito desejado. A estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, do inglês transcranial Direct Current Stimulation), é uma das técnicas de neuromodulação não invasiva do sistema nervoso e tem sido amplamente aplicada na prática clínica. Este é um dos recursos que a Ciência em Movimento disponibiliza a seus pacientes.

tDCS – conceito:

A tDCS consiste na aplicação de eletrodos a determinados pontos do escalpo (ou da medula) com vistas a aumentar ou diminuir a excitabilidade cortical daquela área de interesse, conforme protocolos previamente testados. Trata-se de uma corrente polarizada, portanto, apresentando um polo negativo (cátodo) que tende a diminuir a excitabilidade cortical da área de interesse e um polo positivo (ânodo) cujo efeito desejado é aumentar esse limiar de excitabilidade. A tDCS aumenta a probabilidade de despolarização ou de hiperpolarização axonal sem induzir potenciais de ação, ou seja, apesar de não provocar contrações, a estimulação elétrica do sistema nervoso por uma corrente direta de baixa intensidade aumenta a predisposição dos axônios à despolarização, alterando o potencial de repouso da membrana axonal.

Dessa forma, o fisioterapeuta pode potencializar os resultados de sua intervenção realizando uma estimulação “de cima para baixo” – ou seja, do cérebro para a periferia, ao mesmo tempo em que realiza a sua intervenção motora, que seria uma estimulação “de baixo para cima”, ou seja, da periferia para o cérebro.

As montagens dos eletrodos devem obedecer ao propósito terapêutico, visando a estimular redes neuronais de interesse em uma ou outra patologia. Existem numerosas possibilidades de montagens já descritas na literatura, muitas outras vêm sendo testadas e os efeitos podem ser maiores ou menores a depender da montagem utilizada.

A intensidade utilizada é baixa, sendo geralmente restrita a 2mA (embora atualmente já haja protocolos desenhados para serem utilizados a até 4 mA). A tDCS é um recurso de fácil implementação que permite potencializar o potencial da intervenção fisioterapêutica, trazendo resultados promissores e consistindo em um recurso adjuvante à fisioterapia que pode vir a fazer uma grande diferença no prognóstico de pessoas com déficit neurológico de diversas etiologias.

Quem pode se beneficiar da tDCS?

Pacientes neurológicos com disfunção do sistema nervoso central, tais como, AVCs, traumatismos cranianos, Parkinson, ataxias cerebelares estão entre as disfunções motoras com maior indicação para a neuromodulação por tDCS. A prescrição do protocolo de estimulação é personalizada e feita com base na condição clínica e nos objetivos estabelecidos bilateralmente entre fisioterapeuta e paciente.

Quais os cuidados ao realizar a tDCS?

A tDCS é uma técnica segura quando realizada em protocolos previamente testados (documentados pela literatura). Além disso, deve ser sempre realizada com equipamento adequado (registrado na ANVISA e alimentado por bateria). Algumas condições contraindicam relativamente o uso da técnica, como por exemplo a presença de componentes metálicos como marcapassos, implantes cocleares, válvulas, etc., especificamente quando estas se localizam dentro do campo elétrico gerado.

Como é o tratamento por tDCS?

A clínica Ciência em Movimento adota somente protocolos previamente testados e que mostraram resultados positivos na literatura científica. Nesse contexto, após uma avaliação fisioterapêutica faz-se a prescrição da montagem dos eletrodos de acordo com o objetivo terapêutico. Em geral, inicia-se o tratamento com um período de indução de duas semanas de estimulações diárias (de 2ª a 6ª). Na terceira semana são realizadas 3 sessões de estimulação, na quarta semana, 2 sessões e na 5ª semana apenas uma estimulação, de forma a retirar gradualmente o estímulo.

Vantagens da tDCS

Uma importante vantagem é que a estimulação ocorre simultaneamente ao atendimento, portanto, são desenhados exercícios de forma a potencializar o resultado, ou seja, se a função de interesse é a recuperação dos movimentos da mão, é desejável que durante a estimulação o atendimento seja voltado para exercícios visando à destreza manual. 

Um exemplo prático: Um paciente parkinsoniano apresenta queixas de desequilíbrio. Após a avaliação inicial, observa-se a presença de episódios de congelamento que estão entre as principais causas de desequilíbrio. Após a decisão sobre a montagem de eletrodos ideal para tratar o congelamento da marcha, as sessões de tDCS são realizadas simultaneamente a exercícios e estratégias de ritmo, velocidade, pistas auditivas e/ou visuais desenhadas de forma a tratar o congelamento.

Literatura relacionada